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Na Janela: Jornadas Antirracistas



 OlĂĄ!

Nos dias 26, 27 e 28 de junho, seis bate-papos e uma intervenção poética colocam em foco um debate premente para a construção de uma democracia plena: a ampliação das vozes e da luta antirracista. Com a participação de escritores, educadores, jornalistas, ativistas, pesquisadores e empreendedores, as #JornadasAntirracistas vão discutir temas diversos e prestar uma homenagem a Sueli Carneiro, uma de nossas maiores intelectuais contemporâneas, ativista e feminista antirracista.

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As conversas acontecem ao vivo no canal Companhia das Letras no YouTube (youtube.com/CompanhiaDasLetras) e os leitores podem contribuir com perguntas.
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Abaixo, confira a programação completa:
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📅 Sexta-feira, 26 de de junho

18h | Abertura: Performance de lançamento do livro “Não pararei de gritar”, com Carlos de Assumpção. Mediação: Paulo Sabino

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📅 Sábado, 27 de junho

15h | Educação e infâncias negras

Com Bel Santos, Kiusam de Oliveira e Otávio Júnior. Mediação: Juê OlĂ­via

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17h | Racismo estrutural e institucional

Com Cida Bento, Jurema Werneck e Silvio Almeida. Mediação: Ronilso Pacheco
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19h | Feminismos negros: Uma homenagem aos 70 anos de Sueli Carneiro

Com Sueli Carneiro, Bianca Santana e Djamila Ribeiro. Mediação: Flávia Oliveira

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📅 Domingo, 28 de junho

15h | Ficções contemporâneas

Com Jarid Arraes, Jeferson Tenório e Jessé Andarilho. Mediação: Adriana Couto
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17h | Cultura, ativismo e empreendedorismo

Com Eliane Dias, Monique Evelle e Nina Silva. Mediação: Flavia Lima

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19h | Qual democracia?

Com Acauam Oliveira, Samuel Gomes e Thiago Amparo. Mediação: Flavia Rios



Para mais informaçþes: https://www.instagram.com/p/CB0kEkOgaSw/

NA JANELA: FESTIVAL DE NÃO FICÇÃO da Companhia das Letras



Vamos falar sobre não ficção? đŸŒ†
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Durante a segunda edição do Na Janela, doze escritores da casa participam de uma série de bate-papos on-line sobre literatura de não ficção em nosso canal no YouTube (youtube.com/CompanhiadasLetras). Além disso, o festival terá uma pré-estreia especial na quinta-feira, 21, quando lançaremos a gravação do evento realizado com Yuval Noah Harari em novembro do ano passado.
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Confira abaixo a programação completa do #NaJanelaFestival:
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📅 Quinta-feira, 21 de maio
19h | Pré-estreia: Uma entrevista com Yuval Noah Harari. Mediação de André Petry.
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📅 Sexta-feira, 22 de maio
17h | A república em frangalhos
Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa M. Starling. Mediação de Patrícia Campos Mello.
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📅 Sábado, 23 de maio
15h | Cultura popular e repressão
Laura Mattos e Adriana Negreiros. Mediação de Thiago Amparo.
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17h | Feminismos
Heloisa Buarque de Hollanda e Djamila Ribeiro. Mediação de Giulliana Bianconi.
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19h | Histórias negras
Flávio dos Santos Gomes e Wlamyra R. de Albuquerque. Mediação de João José Reis.
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📅 Domingo, 24 de maio
15h | Biografias brasileiras
Mário Magalhães e Lira Neto. Mediação de Karla Monteiro.
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17h | Sonhos para adiar o fim do mundo
Ailton Krenak e Sidarta Ribeiro. Mediação de Carol Pires.
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A participação é livre e os leitores poderão contribuir com perguntas no evento do Facebook, no Twitter usando a #NaJanelaFestival ou no próprio YouTube, durante a conversa. Para se manter atualizado sobre lives e novos conteúdos, inscreva-se no canal e ative as notificações apertando no sininho.
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E nĂŁo deixe de conferir tambĂŠm a pĂĄgina do festival na Amazon Brasil, com descontos em mais de 100 tĂ­tulos de nĂŁo ficção: https://amzn.to/2Y1a4yp

Resenha | Enfim, capivaras (Luisa Geisler)


Enfim, capivaras
Luisa Geisler
R$ 30,95
ISBN-13: 9788555340857
ISBN-10: 8555340853
Ano: 2019 / PĂĄginas: 173
Idioma: portuguĂŞs
Editora: Seguinte

Em seu primeiro livro para o pĂşblico jovem adulto, a premiada autora Luisa Geisler narra uma aventura inusitada de cinco jovens em busca de uma capivara perdida.
A cidade no interior de Minas Gerais para onde Vanessa se mudou ĂŠ o tipo de lugar onde anunciam os horĂĄrios do cinema e os obituĂĄrios com o mesmo carro de som. Nada de muito interessante acontece por lĂĄ, a nĂŁo ser para Binho, que, segundo ele mesmo, tem vĂĄrias namoradas e conhece um monte de cantores sertanejos famosos.
A verdade ĂŠ que Binho ĂŠ um mentiroso contumaz e agora passou dos limites: inventou que tem uma capivara de estimação. Cansados das histĂłrias cada vez mais mirabolantes do garoto, Vanessa se junta aos amigos ― LĂŠo, Nick e ZĂŠ LuĂ­s ― para desmascarĂĄ-lo. E eles estĂŁo decididos a ir atĂŠ as Ăşltimas consequĂŞncias.
Narrado durante as doze horas de uma noite regada a ĂĄlcool, salgadinhos, segredos e romances mal resolvidos, Enfim, capivaras explora, atravĂŠs de diferentes pontos de vista, os relacionamentos entre um grupo de adolescentes em busca de uma capivara ― ou muito mais do que isso.

A narrativa de Enfim, capivaras ĂŠ bem interessante. Os capĂ­tulos sĂŁo nĂşmerados em ordem decrescente e autora aproveita os nĂşmeros para montar uma lista. O tema das listas sĂŁo diversificados e jĂĄ nos faz conhecer um pouco do personagem e o que ele pensa.
O livro conta a histĂłria de 5 jovens (que nĂŁo se consideram tĂŁo amigos assim, mas eles sĂł tem uns aos outros) em busca de uma capivara. Os capĂ­tulos vĂŁo se alternando entre o ponto de vista de Vanessa, ZĂŠ Luis, LĂŠo e Nick.

"Porque se vocĂŞ mora na Chapada do Pytuna, precisa tomar a iniciativa e criar a aventura."

Não temos capítulo do Dênis, porque ele é o motivo de tudo isso. Afinal, ele ganhou mesmo uma capivara? É verdade que ela fugiu? Dênis é um mentiroso compulsivo, ele conta as histórias mais mirabolantes e estão todos cansados disso. Zé Luis, principalmente, porque ele acredita que se provarem que Dênis está mentindo a respeito da capivara, vai conseguir fazer com que a garota que ele gosta, acredite que o que o Dênis espalhou sobre ele é mentira.

O livro nos mostra as 12 horas que o grupo fica junto em busca da capivara. Antes de pegar a estrada, eles passam no mercado para se abastacerem de bebidas e besteiras para comer. Ah, vale ressaltar que eles tem apenas 16 anos, mas Leo Ê membro de uma família importante da cidade e por isso Ê cheio de privilÊgios, como dirigir sem a preocupação de ser punido. Ele tambÊm Ê o único que tem celular, e no ano que a história se passa, o celular mais moderno Ê o V3. Uma boa aventura precisa de um contratempo, não Ê mesmo? E nesse caso o carro quebra no meio de uma estrada onde não passa ninguÊm, e dessa forma eles são obrigados a passarem a noite juntos, e assim eles vão andando pela mata.

"ZĂŠ Luis tinha uma dĂ­vida, a mĂŁe sempre dizia."

ZĂŠ Luis ĂŠ filho da empregada da casa da famĂ­lia do Leo. Eles cresceram juntos, teve seus estudos pagos e ZĂŠ Luis sempre ficou com o que nĂŁo servia mais pro Leo. 

Vanessa, ou Nessinha como ĂŠ chamada por todos, estĂĄ apenas hĂĄ 3 meses morando na cidade. Ela morava com seus pais em Porto Alegre, mas apĂłs o divĂłrcio e seu pai nĂŁo querer a sua guarda, ela se muda com a mĂŁe para a casa da vĂł. Ela ainda nĂŁo se sente em casa, nunca se sentiu na verdade, mas um dos meninos faz com que ela se sinta prĂłximo disso.

"E, para poder ser Nick, Nick precisa esconder Nick. Ela acha quase irĂ´nico que seu apelido, vindo de “Nicole”, seja a mesma palavra para definir nomes de usuĂĄrio. “Nicknames”. Nick precisa ser um avatar de si mesma, com nome falso e tudo. E precisa esconder isso — todo esse “isso”."

Acho que de todos os personagens apresentados, Nick Ê a que poderia ter sido melhor explorada, por ainda não saber quem ela Ê, por se vestir diferente, gostar de hentai, ter dúvidas da sua orientação sexual, sofrer abuso verbal do pai e ser a única assim em uma cidadezinha do interior.

A ideia geral do livro Ê boa, Ê um livro curto e Ê possível ler em apenas um dia, talvez por isso mesmo faltou profundidade em todos os aspectos. AtravÊs das listas Ê que temos um vislumbre maior do que cada um pensa e sente, mas não passa disso. Terminei a leitura pensando o que a autora queria passar com essa história. Vi vårios adolescentes fazendo coisas idiotas, atÊ aí nenhuma novidade neh...rs. Só que eu esperava que pelo menos algo de mais profundo surgisse, que talvez, depois de passar por essa experiência, eles realmente virassem amigos, se sentissem abertos a falar sobre seus medos, seus sonhos, se sentissem acolhidos. Que fosse apresentado soluçþes para alguns dos poucos conflitos gerados, mas nada disso acontece. O que ainda tem um início Ê o romance que começa com pequenos gestos. O livro acabou e eu fiquei com aquela sensação de pra que eu li tudo isso mesmo? Vi algumas resenhas positivas sobre Enfim, capivaras, mas para mim não funcionou.

por Renata Kerolin Lima

Resenha | Reinaçþes de Narizinho (Monteiro Lobato)

Reinaçþes de Narizinho
Monteiro Lobato
R$ 51,89
ISBN-13: 9788574068329
ISBN-10: 8574068322
Ano: 2019 / PĂĄginas: 248
Idioma: portuguĂŞs
Editora: Companhia das Letrinhas

Reinaçþes de Narizinho Ê o primeiro de uma sÊrie de livros que abriria as porteiras do Sítio do Picapau Amarelo para os pequenos leitores do Brasil. Com seu universo único e encantador, as aventuras que Narizinho, Pedrinho, Emília e tantos outros personagens vivem nos arredores do Sítio e no Reino das Águas Claras marcaram a história da literatura brasileira e consagraram Monteiro Lobato como o grande nome de nossa literatura infantojuvenil.
Esta nova edição de luxo, organizada por Marisa Lajolo, vem acompanhada por um texto introdutório que explica o contexto cultural da Êpoca de publicação do livro e debate as questþes polêmicas relacionadas à obra de Monteiro Lobato. Traz tambÊm notas de rodapÊ em formato de diålogo entre as personagens, que explicam o vocabulårio e os costumes do Brasil da dÊcada de 1920, alÊm de ilustraçþes que reinterpretam a turma do Sítio.

Quem nĂŁo conhece Narizinho, Pedrinho, EmĂ­lia, Visconti, Tia NastĂĄcia etc, nĂŁo ĂŠ mesmo? Acho que 10 entre 10 crianças conhece essa turminha. Eu, quando criança, amava as histĂłrias do SĂ­tio do Picapau Amarelo. 

Quando a Companhia lançou esta edição de luxo de Reinaçþes de Narizinho, a obra mais clĂĄssica de Monteiro Lobato, eu quis ler imediatamente para ver como a obra foi adaptada aos novos tempos. E olha... estĂĄ a coisa mais linda do mundo. 



As histĂłrias a gente jĂĄ conhece, sĂŁo as que jĂĄ vimos nos livros, na TV, etc. Mas o diferencial fica por conta do texto inicial, em que a organizadora Marisa Lajolo, a maior especialista do Brasil na obra de Monteiro Lobato, explica os costumes da ĂŠpoca, como o fato de a maioria das crianças nĂŁo frequentarem escolas, principalmente as meninas, cujo costume era que elas aprendessem as tarefas domĂŠsticas, aprendessem como se tornarem boas mĂŁes, boas esposas. 

Explica tambĂŠm o contexto cultural da ĂŠpoca em que o livro foi publicado pela primeira vez. Todo mundo lembra como a tia NastĂĄcia era chamada, nĂŠ? Negra beiçuda, macaca, negra de estimação, entre outros termos super racistas. TambĂŠm explica o significado e uso de algumas expressĂľes que eram usadas na dĂŠcada de 1920, e reiterando que esse termo nĂŁo deve ser usado, etc. Achei muito legal isso.  

Nas notas de rodapĂŠ encontramos uma conversa com o leitor, onde os personagens explicam o significado de algumas expressĂľes que nĂŁo sĂŁo mais utilizadas hoje em dia. EstĂĄ mesmo muito legal!


 As ilustraçþes estĂŁo lindas, com cores vivas e traços modernos, a ilustradora ĂŠ uma artista premiada, chamada Lole. Eu nĂŁo conhecia o trabalho dela mas jĂĄ virei fĂŁ, ela manda muito bem. Recomendo demais a obra, para todas as idades, e as crianças, os pais nĂŁo precisam se preocupar pois a edição foi muito bem cuidada. 

Resenha | Mortina e o primo insuportĂĄvel (Barbara Cantini) Mortina #02

Mortina e o primo insuportĂĄvel

Mortina # 2
Barbara Cantini
R$ 31,60
ISBN-13: 9788574068893
ISBN-10: 8574068896
Ano: 2019 / PĂĄginas: 48
Idioma: portuguĂŞs
Editora: Companhia das Letrinhas

Mortina terĂĄ de enfrentar um grande mistĂŠrio no Palacete DecrĂŠpito ao lado de Dondoco, o primo mais chato desse (e de qualquer outro) mundo.
Mortina e seu melhor amigo, o galgo albino Tristão, vivem no Palacete DecrÊpito com a tia Fafå Lecida, onde brincam com os fantasmas dos corredores e as crianças do vilarejo de Logo Ali.
Durante um dia chuvoso, Dondoco, o insuportĂĄvel primo de Mortina, aparece no Palacete dizendo que foi convidado pela tia FafĂĄ para um jantar surpresa. Em seguida, chegam os amigos da menina-zumbi, que alegam o mesmo. Mas, estranhamente, a tia FafĂĄ Lecida desapareceu sem deixar rastros.
O que serĂĄ que aconteceu? Algo sobrenatural? Ou uma simples e mera coincidĂŞncia? (E serĂĄ que Dondoco nĂŁo vai parar de reclamar nem por um segundo?) De repente, Mortina se vĂŞ Ă  frente de um mistĂŠrio que atĂŠ parece coisa de outro mundo.
Este livro Ê indicado para crianças a partir de 6 anos.


A garota-zumbi Mortina estå de volta para uma nova aventura! Em Mortina e o primo insuportåvel vemos como Mortina estå feliz e satisfeita agora sendo amiga das crianças de Logo Ali. PorÊm uma chuva muito forte deixou-a sem ninguÊm para brincar, atÊ mesmo seu cão Tristão não quer brincar com ela, ele prefere ir atrås dos sapos na chuva. E sua tia Fafå Lecida (gente, eu sou tão lesada que agora que fui perceber o trocadilho Fafå Lecida - falecida hahaha), agora tem uma planta que quanto mais se fala com ela, mais ela cresce, e não estå dando muita atenção pra Mortina.

Quando Mortina menos espera a campainha toca e ĂŠ uma pessoa que ela nĂŁo estava mesmo esperando. Seu primo Dondoco, um garoto insuportĂĄvel de tĂŁo chato, nĂŁo gosta de nada no Palacete DecrĂŠpito e sĂł sabe reclamar. Ele diz que estĂĄ lĂĄ a convite da tia FafĂĄ Lecida para um jantar surpresa. Mas Mortina nĂŁo consegue achar a tia na mansĂŁo pra saber que jantar ĂŠ esse e por que ela nĂŁo falou nada pra Mortina. Os amigos de Mortina tambĂŠm começam a chegar, tambĂŠm a convite da tia FafĂĄ. Mas onde serĂĄ que a tia FafĂĄ se meteu? E tem mais um mistĂŠrio que Mortina e seus amigos terĂŁo que resolver. 

Ah gente, eu adorei o primeiro livro por conta das liçþes sobre inclusĂŁo, respeito Ă s diferenças, amizade e igualdade. E neste as liçþes nĂŁo param, aqui a gente vai ver como as palavras tem poder e que todos temos habilidades e particularidades, e ĂŠ isto que nos torna Ăşnicos e especiais. Adoro as mensagens de inclusĂŁo e respeito que a autora passa nos livros. 

A edição da Companhia das letrinhas ĂŠ capa dura e as ilustraçþes seguem lindas como no primeiro, cheias de coisinhas escondidas e que vĂŁo fazer a gente passar um bom tempo as admirando. Recomendo para pessoas de todas as idades, e se vocĂŞ for professor(a) ĂŠ uma Ăłtima dica de livro para ensinar o conceito de ĂŠtica aos pequenos. DĂĄ pra ler bem rapidinho e ĂŠ uma delĂ­cia acompanhar Mortina nas suas aventuras. 

Resenha HQ | Minha coisa favorita ĂŠ monstro (Emil Ferris)

Minha Coisa Favorita ĂŠ Monstro
# 1
R$ 107,90
ISBN-13: 9788535931747
ISBN-10: 8535931740
Ano: 2019 / PĂĄginas: 416
Idioma: portuguĂŞs
Editora: Quadrinhos na Cia.

A histĂłria de um assassinato misterioso, um drama familiar, um ĂŠpico histĂłrico e um extraordinĂĄrio suspense psicolĂłgico sobre monstros — reais e imaginados. A histĂłria em quadrinhos mais impactante desde Maus.

Com o tumultuado cenårio político da Chicago dos anos 1960 como pano de fundo, Minha Coisa Favorita Ê Monstro Ê narrado por Karen Reyes, uma garota de dez anos completamente alucinada por histórias de terror. No seu diårio, todo feito em esferogråfica, ela se desenha como uma jovem lobismoça e leva o leitor a uma incrível jornada pela iconografia dos filmes B de horror e das revistinhas de monstro.
Quando Karen tenta desvendar o assassinato de sua bela e enigmĂĄtica vizinha do andar de cima — Anka Silverberg, uma sobrevivente do Holocausto — assistimos ao desenrolar de histĂłrias fascinantes de um elenco bizarro e sombrio de personagens: seu irmĂŁo DezĂŞ, convocado a servir nas forças armadas e assombrado por um segredo do passado; o marido de Anka, Sam Silverberg, tambĂŠm conhecido como o jazzman “Hotstep”; o mafioso Sr. Gronan; a drag queen Franklin; e Sr. Chugg, o ventrĂ­loquo.
Num estilo caleidoscĂłpico e de virtuosismo estonteante, Minha Coisa Favorita ĂŠ Monstro ĂŠ uma obra magistral e de originalidade Ă­mpar.
Grande vencedor do prêmio Eisner, o mais importante do quadrinho mundial, nas categorias Melhor Álbum do Ano, Melhor Roteirista/Desenhista e Melhor Colorista.


Minha coisa favorita ĂŠ monstro ĂŠ a HQ de estreia de Emil Ferris. Ela jĂĄ debutou arrastando vĂĄrios prĂŞmios, como o Eisner e Fave D’Or, que sĂŁo apenas os prĂŞmios mais importantes do mundo dos quadrinhos. Emil Ferris contraiu uma doença que paralisou suas pernas e mĂŁos, e começou este trabalho em seu processo de reabilitação. Trabalho este que levou seis anos para ficar pronto e aproximadamente vinte mil canetas bic!!! 


Isso mesmo! As ilustraçþes de Minha coisa favorita Ê monstro são todas feitas com canetas bic ou canetinhas hidrocor. A história Ê sobre Karen, uma adolescente que mora numa espÊcie de cortiço, em Chicago no final dos anos 60. Karen Ê uma adolescente bem peculiar, ela curte filmes de terror e monstros, e alÊm disso, ela se enxerga como um monstro, ela se desenha como uma lobismenina.





Um dia, Anka Silverberg, uma das vizinhas de Karen - e sobrevivente do Holocausto, ĂŠ encontrada morta. A polĂ­cia diz que foi suicĂ­dio, porĂŠm Karen nĂŁo engole essa histĂłria e resolve investigar a morte da mulher, que sempre a tratava bem. E entĂŁo a gente vai vendo o desenrolar dessa histĂłria pelo ponto de vista da Karen, no que parece ser um diĂĄrio ilustrado da menina, que ĂŠ louca por arte. A narrativa nĂŁo ĂŠ bem linear, primeiro porque o livro ĂŠ escrito por uma criança, e a coerĂŞncia de pensamentos dela ĂŠ bem tĂ­pica das crianças, e segundo porque o livro nos tira da nossa zona de conforto no tocante Ă  disposição do texto nas pĂĄginas. NĂŁo tem os balĂľes, que geralmente encontramos nas HQ's, o texto ĂŠ solto e ĂŠ colocado de vĂĄrias formas. Tem horas que nos pegamos virando o livro ou o pescoço pra ler. Esse ĂŠ um dos fatores que deixam a leitura um pouco mais lenta, principalmente pra quem nĂŁo ĂŠ acostumado a ler quadrinhos, como no meu caso. 





O livro tem muita histĂłria tambĂŠm, pois em 1968, ano que se passa a histĂłria, houve o assassinato do J.F. Kennedy, a morte do Luther King, fala tambĂŠm sobre a Alemanha nazista e vĂĄrias outras coisas que tambĂŠm se passaram nessa ĂŠpoca. Isso ĂŠ muito legal de ver. É legal tambĂŠm ver atravĂŠs dos olhos da Karen a Chicago dessa ĂŠpoca e as andanças da menina pela cidade, principalmente pelo museu, que ĂŠ um lugar que ela curte bastante.  



As ilustraçþes do livro sĂŁo uma verdadeira obra de arte. É de fazer a gente babar. Imagine sĂł, cada começo de capĂ­tulo ĂŠ uma capa de revista que foi tambĂŠm adaptada para o portuguĂŞs. Os desenhos sĂŁo absurdamente bem detalhados. As rĂŠplicas das obras de arte que sĂŁo reproduzidas pela Karen sĂŁo absurdas de tĂŁo lindas e ricas em detalhes. 





Gente, eu nĂŁo sou muito acostumada a ler HQ's, nem sei se o que eu falei aqui ĂŠ o que se deve analisar quando se lĂŞ uma HQ, mas estou falando sobre minha percepção como leitora no geral. AlĂŠm do livro ser lindo esteticamente, a histĂłria ĂŠ muito boa. Recomendo demais pra quem curte HQ's e histĂłrias de mistĂŠrio. A HQ no geral tem um preço meio salgado, mas jĂĄ adianto que vale cada centavo porque ela ĂŠ INCRÍVEL! MARAVILHOSA! NĂŁo vejo a hora de sair a continuação! 





Fonte: Imagens

Resenha | NĂłs - O Felizes Para Sempre de Ryan e James (Elle Kennedy e Sarina Bowen)



NĂłs - O Felizes Para Sempre de Ryan e James
Him # 2
Elle Kennedy
Sarina Bowen
R$ 33,99
ISBN-13: 9788584391417
Ano: 2019 / PĂĄginas: 240
Idioma: portuguĂŞs
Editora: Paralela



SerĂĄ que seus jogadores de hĂłquei preferidos terminarĂŁo a primeira temporada juntos e invictos?
Ryan Wesley (Wes) e James (Jamie) Canning se conheceram num acampamento de hóquei quando crianças. A amizade entre os dois cresceu pouco a pouco atÊ que um acontecimento inesperado os afastou. Quando eles se reencontram na faculdade, ambos jå adultos, se apaixonam e iniciam uma nova relação, agora de amor.
Por motivos profissionais, Wes nĂŁo quer que seu relacionamento se torne pĂşblico, mas um de seus colegas de time se muda para o mesmo prĂŠdio onde ele estĂĄ morando com Jamie, e a vida secreta que os dois construĂ­ram cuidadosamente corre o risco de ruir.
Com o mundo externo pronto para testĂĄ-los, Jamie e Wes precisam descobrir do que sĂŁo capazes em nome do amor que tĂŞm um pelo outro.



NĂłs, de Elle Kennedy e Sarina Bowen começa um pouco depois de onde Ele terminou. James e Wes estĂŁo morando juntos em Toronto, estĂĄ tudo indo bem, mas as viagens constantes de Wes com o time acabam deixando James inseguro, juntando ao fato de que ele aparentemente nĂŁo estĂĄ numa boa fase no time de adolescentes que ele estĂĄ treinando. O goleiro titular estĂĄ desestimulado e James acredita que nĂŁo estĂĄ fazendo um bom trabalho. Ele e Wes estĂŁo tendo problemas de comunicação, nĂŁo conversam mais tanto quanto antes e atĂŠ mesmo o sexo que costumava ser incrĂ­vel, estĂĄ meio morno. 

James estĂĄ inseguro porque Wes estĂĄ na sua melhor fase na carreira de jogador de hĂłckey e ele estĂĄ passando por uma fase difĂ­cil no time. Ele fica inseguro porque acha que nĂŁo contribui financeiramente nem com a metade dos gastos que eles tem com o apartamento e estĂĄ com medo de ser demitido. SĂł que em vez de ele sentar com Ryan (Wes) para conversar, ele vai acumulando esses sentimentos e o resultado disso ĂŠ um silĂŞncio constrangedor entre eles durante o tempo que estĂŁo juntos. Pra completar, um colega de time de Ryan vai morar no mesmo prĂŠdio que eles e o segredo de Wes e James estĂĄ ameaçado. Blake ĂŠ muito "entrĂŁo", como diz a minha mĂŁe, e do nada estĂĄ sempre batendo na porta dos rapazes. Confesso que no começo achava isso bem irritante, mas depois comecei a gostar do Blake, que foi de "pentelho" a cĂşmplice do nosso casal fofo. 

Ah gente, todo casal passa por isso. Eu achei tĂŁo legal a forma como as autoras colocaram os arranhĂľes na relação deles, porque ficou bem real sabe? Todo mundo pensa que um casal homossexual sĂł vive de sexo e nĂŁo ĂŠ assim! É um casal como qualquer outro casal, tem momentos de sĂł amorzinho mas tem momentos de estranhamento tambĂŠm, de ranhuras na relação, de falta de comunicação, de insegurança, etc. 

James e Ryan tem uma relação sĂłlida e madura, e eu fiquei feliz que as autoras nĂŁo colocaram nada como triângulo amoroso ou traição no meio deles dois. O "vilĂŁo" aqui nesta histĂłria ĂŠ a vida, a rotina. Adorei que mesmo que eles tenham passado por vĂĄrios problemas, o amor e o respeito que um tem pelo outro foi maior que tudo, foi suficiente para sustentar a relação e passar por cima de todo e qualquer problema. 

Achei legal a saĂ­da do armĂĄrio de Ryan, achei que isso ia ser realmente problemĂĄtico para os rapazes, mas foi super de boa, os fĂŁs aceitaram muito bem a sexualidade de Wes, e ele mesmo atĂŠ que lidou bem com tudo. Gostei da irmĂŁ do James ter feito uma aparição e ter deixado um gostinho de quero mais, junto com o Blake, que pelo que deu a entender eles tiveram um rolinho. Vamos ver como isso volta Ă  tona nos prĂłximos livros das autoras. 

Enfim, o saldo foi positivo, gostei da história. Mas ainda prefiro o primeiro livro! HaHa Recomendo pra quem gosta de romances LGBTQIA+ bem sexy e bem românticos. Se você tem problemas com sexo homossexual, passe longe porque tå lotado aqui! Credo, que delícia! HaHAHA

Resenha | Uma mulher no escuro (Raphael Montes)

Uma mulher no escuro
Raphael Montes
R$ 38,67 atĂŠ R$ 39,92
ISBN-13: 9788535931761
ISBN-10: 8535931767
Ano: 2019 / PĂĄginas: 256
Idioma: portuguĂŞs
Editora: Companhia das Letras
Um crime brutal cometido hĂĄ vinte anos, uma Ăşnica sobrevivente, o retorno calculado do assassino. Em quem Victoria deve confiar? Neste thriller psicolĂłgico, Raphael Montes une romance e suspense em uma narrativa intrincada e sedutora.
Victoria Bravo tinha quatro anos quando um homem invadiu sua casa e matou sua família a facadas, pichando seus rostos com tinta preta. Única sobrevivente, ela agora é uma jovem solitária e tímida, com pesadelos frequentes e sérias dificuldades para se relacionar. Seu refúgio é ficar em casa e observar a vida alheia pelas janelas do apartamento onde mora, na Lapa, Rio de Janeiro.
Mas o passado bate Ă  sua porta, e ela nĂŁo sabe mais em quem pode confiar. Obrigada a enfrentar sua prĂłpria tragĂŠdia, Victoria embarca em uma jornada de amadurecimento e descoberta que a levarĂĄ a zonas obscuras, mas tambĂŠm revelarĂĄ as possibilidades do amor. Um psiquiatra, um amigo feito pela internet e um possĂ­vel namorado — qual dos trĂŞs homens estĂĄ usando tudo o que sabe para aterrorizar a vida de Vic? E o que afinal ele quer com ela?
Na literatura nacional, Raphael Montes ĂŠ unanimidade quando se trata de livros de suspense. Uma Mulher no Escuro traz sua primeira protagonista feminina e confirma o autor como um dos mais originais da atualidade — alĂŠm de deixar o leitor intrigado do começo ao fim.


Uma mulher no escuro foi minha Ăşltima leitura de agosto, enquanto ia para a Bienal do Livro do RJ. Foi o Ăşnico livro que eu levei para o RJ para que fosse autografado, por motivos de que sou muito fĂŁ do Raphael Montes. 

A histĂłria ĂŠ sobre Victoria, uma garota que teve os pais e o irmĂŁo mais velho assassinados quando ela tinha apenas 4 anos de idade. O assassino entrou em sua casa Ă  noite, esfaqueou-os e pichou seus rostos de preto. O crime ganhou proporçþes nacionais e desde entĂŁo Victoria tenta fugir dos holofotes. Victoria cresceu com problemas de sociabilidade, nĂŁo preciso nem falar que ela tinha problemas em se relacionar com qualquer pessoa que nĂŁo fosse sua tia, quem lhe criou. As outras duas pessoas com quem Vic tem algo prĂłximo de uma amizade sĂŁo seu Psiquiatra, Dr. Max, e um amigo que ela fez pela internet, o Arroz. 

Victoria passa os dias trabalhando num CafĂŠ que ĂŠ de um conhecido de sua tia, que lhe deu este emprego mesmo ela sendo um pouco esquisita, e quando nĂŁo estĂĄ no trabalho, passa o tempo todo observando a vida das pessoas atravĂŠs da janela de seu apartamento. Um dia ela nota a presença de um rapaz no cafĂŠ em que trabalha. Ele parece estar sempre escrevendo algo e entĂŁo seus olhares se cruzam, e ele resolve puxar conversa com ela sobre assuntos aleatĂłrios. Seu nome ĂŠ Georges, ele ĂŠ escritor. E entĂŁo ali nasce uma amizade, que acaba evoluindo para um romance. 

Um dia, Victoria chega em casa e nota que seu apartamento foi arrombado, e ela encontrou uma pichação na parede escrito 'Vamos brincar?'. A garota acha que o Pichador pode estar de volta, mas o que serĂĄ que ele quer? SerĂĄ que ele quer terminar o serviço e matĂĄ-la? E por que serĂĄ que ele a deixou viva vinte anos atrĂĄs? Victoria, que jĂĄ tinha atĂŠ feito certo progresso, de repente se fecha em seu mundo novamente, reforça a segurança de sua casa e vai Ă  polĂ­cia. Nessa ida ela acaba descobrindo coisas sobre o crime que mudou pra sempre sua vida e terĂĄ que lidar com traumas de seu passado que a afetam atĂŠ os dias atuais. 

O suspense ĂŠ eletrizante, pois nĂłs temos vislumbres do assassino e o que ele estĂĄ pensando e quais as suas possĂ­veis intençþes, tambĂŠm temos acesso ao diĂĄrio do assassino desde que ele era criança. É muito assustador ver a transformação dele de uma criança doce e sadia em uma pessoa perturbada, e principalmente pela forma como tudo se deu, ĂŠ tudo tĂŁo real e tudo tĂŁo possĂ­vel que a gente fica louca imaginando 'e se fosse meu filho'? 

Confesso que eu adivinhei algumas coisas, inclusive quem era o assassino, mas outras coisas realmente foram um choque, e tomei um soco no estĂ´mago com tantas outras coisas. Raphael construiu uma protagonista extremamente ferrada, complexa e pouco confiĂĄvel, mas totalmente verossĂ­mil. Eu fiquei o tempo todo tentando me colocar no lugar dela, e sinceramente, Deus que me perdoe, mas acho que eu teria tirado minha prĂłpria vida, ou pelo menos tentado. E como se nĂŁo bastasse crescer com o estigma de ser a sobrevivente do crime do Pichador, descobrir as motivaçþes do assassino e como ele planejou e executou a sua volta, foi perturbador. 

NĂŁo hĂĄ sĂł um plot twist, hĂĄ vĂĄrios e em todos eles Raphael Montes acha engraçado desgraçar a cabeça da gente e desconstruir tudo que achamos que tava acontecendo. A leitura fica frenĂŠtica a partir de mais ou menos a metade do livro, e entĂŁo ĂŠ impossĂ­vel largar. Gostei muito da leitura de Uma mulher no escuro e achei que o autor conseguiu costurar o enredo perfeitamente para que nada ficasse sem resposta. Recomendo pra quem gosta de suspenses, mas pra quem tem gatilho com abuso, acho melhor nĂŁo pegar. Mais um livro do Raphael pra conta, sensacional! Amei! 


Resenha | Mortina (Barbara Cantini)

Mortina
Uma histĂłria que vai fazer vocĂŞ morrer... de rir!
Barbara Cantini
R$ 39,90 atĂŠ R$ 49,90
ISBN-13: 9788574068442
ISBN-10: 8574068446
Ano: 2019 / PĂĄginas: 56
Idioma: portuguĂŞs 
Editora: Companhia das Letrinhas
A pequena Mortina quer, como qualquer outra criança, fazer amigos. Mas hĂĄ um detalhe: ela ĂŠ uma menina-zumbi, e sua tia FafĂĄ Lecida nĂŁo a deixa sair de casa… AtĂŠ que o Dia das Bruxas chega e, com ele, a chance de Mortina se aventurar fora de casa.
Mortina ĂŠ uma menina diferente de todas as outras: ela ĂŠ uma menina-zumbi. Passa os dias no Palacete DecrĂŠpito com sua tia FafĂĄ Lecida e seu inseparĂĄvel amigo, o galgo albino TristĂŁo.
O maior sonho de Mortina Ê ter amigos de sua idade para brincar, mas sua tia nunca deixa que ela saia de casa, porque tem medo da reação dos humanos ao conhecerem a pequena zumbi.
Para sua alegria, um dia a oportunidade perfeita aparece: o Dia das Bruxas, quando todas as crianças saem às ruas com as fantasias mais horripilantes. Mortina nem vai precisar trocar de roupa para encarar a maior aventura de sua vida.

Mortina ĂŠ uma criança quase como outra qualquer. A Ăşnica diferença ĂŠ que ela nĂŁo estĂĄ...viva. Mortina ĂŠ uma menina-zumbi. A garotinha deseja mais do que tudo fazer amizade com as crianças de Logo Ali, que ĂŠ um vilarejo bem prĂłximo ao Palacete DecrĂŠpito, que ĂŠ onde vive com sua tia FafĂĄ Lecida e seu galgo albino, o cĂŁo TristĂŁo, que ainda ĂŠ um mistĂŠrio se estĂĄ vivo ou morto, devido Ă  sua aparĂŞncia. 

Como Mortina tem uma aparĂŞncia um pouco diferente, sua pele ĂŠ muito branca quase esverdeada e ela tem olheiras muito roxas, sem contar que ela pode arrancar facilmente partes do seu corpo e depois colocĂĄ-las de volta, sua tia FafĂĄ Lecida tem muito medo do que possa acontecer a elas caso as pessoas de Logo Ali a vejam. Por isso ela proibiu terminantemente Mortina de ter contato com as outras crianças. 

Mortina, no entanto, ouve falar de uma festa em que as pessoas se vestem de monstros e saem de porta em porta para pedir doces! Nossa, que legal! Parece ser a oportunidade perfeita para a garota-zumbi interagir com os vivos sem ser percebida. E assim, ela arma um plano infalĂ­vel para que isso aconteça. 

Gente que histĂłria fofa sobre inclusĂŁo, respeito Ă s diferenças, amizade e igualdade. Mortina se fantasia dela mesma e vai curtir o Halloween como qualquer criança normal. E quando as crianças percebem o que ela ĂŠ, em um descuido, eles acham o mĂĄximo e mostram que nĂŁo ligam para isso, que o que importa ĂŠ que Mortina ĂŠ uma garota super legal! E logo todos se tornam amigos e passam a brincar juntos. 

É um livro com uma histĂłria muito legal, que mostra um pouco como se sentem crianças que sĂŁo diferentes. O diferente sempre assusta um pouco no começo, mas se vocĂŞ der uma oportunidade vai ver que o diferente nĂŁo ĂŠ tĂŁo diferente assim e, na verdade, somos todos iguais. 

A edição da Companhia das Letrinhas tem capa dura e Ê todo ilustrado. As ilustraçþes são lindas, super coloridas e a diagramação Ê bem legal tambÊm. A leitura Ê ideal para os pais ou professores trabalharem o conceito de Êtica com os pequeninos. Då pra ler bem rapidinho e Ê uma delícia acompanhar Mortina nas suas travessuras. Espero que a editora publique os próximos livros.

Super recomendo! 

Resenha | The Chase - A Busca de Summer e Fitz (Elle Kennedy) Briar U # 1

The Chase - A Busca de Summer e Fitz
Briar U # 1
Elle Kennedy
R$ 28,72 atĂŠ R$ 31,92
ISBN-13: 9788584391363
ISBN-10: 8584391363
Ano: 2019 / PĂĄginas: 320
Idioma: portuguĂŞs 
Editora: Paralela
Bem-vinda de volta aos jogos de hóquei e às festas da Universidade Briar! No primeiro spin-off da sÊrie Amores Improvåveis, conheça a apaixonante e misteriosa Summer, irmã de Dean.
Todo mundo diz que os opostos se atraem. E deve ser verdade, porque não tem nada que explique minha atração por Colin Fitzgerald. Ele não faz meu tipo e, o pior de tudo, me acha superficial. Essa visão distorcida que ele tem de mim Ê o primeiro ponto contra. TambÊm não ajuda que ele seja amigo do meu irmão.
E que o cara que mora com ele tenha uma queda por mim.
E que eu tenha acabado de me mudar para a casa deles.
Mas isso nĂŁo importa. Estou ocupada o bastante com uma faculdade nova, um professor que nĂŁo larga do meu pĂŠ e um futuro incerto. AlĂŠm do mais, Fitzy deixou bem claro que nĂŁo quer nada comigo, embora tenhamos uma quĂ­mica de dar inveja a qualquer casal. Nunca fui de correr atrĂĄs de homem, e nĂŁo vou começar agora. EntĂŁo, se o meu roommate gato finalmente acordar e perceber o que estĂĄ perdendo…
Ele sabe onde me encontrar.


Eu amo a sÊrie Amores Improvåveis e sempre quando me pedem indicação de livros divertidos ou pra sair de uma ressaca eu os recomendo, então fiquei bem animada quando soube que teríamos um spin off. Para quem leu O acordo, O erro, O jogo e A conquista vai dar pra matar um pouquinho desses personagens tão queridos, e pra quem ainda não leu, corre pra ler, garanto que vai devorar. A Elle Kennedy tem uma escrita boa, constrói bons diålogos e sabe dosar as partes divertidas, as cenas hots, e as dramåticas, porque esses livros abordam vårios assuntos importantes.

VocĂŞ tambĂŠm pode começar com The Chase, sem nenhum problema, afinal ĂŠ uma sĂŠrie nova e os personagens principais sĂŁo outros, embora a maioria deles jĂĄ tenham sido apresentados nos livros anteriores, o que ĂŠ o caso do casal principal desse livro, Summer e Fitz. Adorei a dinâmica deles mostrada anteriormente e estava curiosa para saber como essa relação seria desenvolvida. 

Summer, irmã do Dean, foi apresentada como uma garota que tem tudo a ver com a tradução do seu nome, Verão. É como se ela fosse o próprio Sol, super pra cima, divertida, cheia de atitude, adora uma festa e é o centro das atenções por onde passa, não apenas por ser linda, ela tem um brilho próprio sabe? E nem precisa se esforça para ser notada. Ela é obrigada a mudar de universidade e acaba indo morar junto com Fitz, Hunter e Hollis.
“Posso ser temperamental, mas minha raiva em geral vem numa explosĂŁo e depois desaparece quase instantaneamente. NĂŁo fico brava com as pessoas por muito tempo – quem precisa desse tipo de energia negativa na vida? E nĂŁo guardo rancor.

Fitz, quando a vê Ê logo atraído por essa energia boa dela, mas ela Ê a irmã do seu amigo, e os caras tem uma regra com relação a isso, mas o mais importante na cabeça dele uma relação entre os dois nunca daria certo, porque ela Ê o oposto dele. Ele não gosta de ser o centro das atençþes, prefere sempre ficar na dele e odeia dramas, e pra ele a Summer Ê muito dramåtica, para que se desgastar assim?

Mas Summer deixa bem claro que quer o Fitz, ela investe e ele foge, que garoto difícil. Ele chega a trata-la mal, a julga sem conhece-la, fala coisas ruins a respeito dela e isso a abala. Vemos nesse livro um outro lado dela, passamos a conhece-la melhor, seus medos, suas dificuldades, suas angustias e incertezas. Ser da família Di Laurentis cobra um preço, a pressão e a cobrança é maior, não por parte dos pais que são maravilhosos, mas na universidade e para completar ainda temos várias situações de machismo, aqueles momentos de leitura que dá muita raiva, porque sabemos que são coisas que acontecem diariamente. É revoltante.

E enquanto Fitz não decide o que quer, e fica mexendo com a cabeça e com o coração da Summer, temos Hunter que afirma que estå interessado nela, que quer algo sÊrio, o que gera um clima ruim entre esses amigos que moram na mesma casa. AlÊm desses personagens temos destaque para Brenna, filha do treinador e melhor amiga da Summer, e o Hollis que foi o personagem que mais gostei porque me fazia rir.

Não achei que foi um bom começo para sÊrie, esses personagem foram legais como secundårios, mas como protagonistas não curti. Não consegui torcer para esse casal, faltou carisma e diferente da outra sÊrie não consegui me envolver com os dramas, achei que tudo foi apresentado de uma forma superficial. Foi um livro ok, pretendo continuar a sÊrie porque são livros fåceis de ler, mas não tenho expectativa para a continuação.

Por Renata Kerolin

Resenha | Mulheres na luta - 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade (Martha Breen e Jenny Jordahl)

Mulheres na luta
150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade
Marta Breen...
R$ 47,38 atĂŠ R$ 54,99
ISBN-13: 9788555340802
ISBN-10: 8555340802
Ano: 2019 / PĂĄginas: 128
Idioma: portuguĂŞs 
Editora: Seguinte

Hå 150 anos, a vida das mulheres era muito diferente: elas não podiam tomar decisþes sobre seu corpo, votar ou ganhar o próprio dinheiro. Quando nasciam, os pais estavam no comando; depois, os maridos. O cenårio só começou a mudar quando elas passaram a se organizar e a lutar por liberdade e igualdade.
Neste livro, Marta Breen e Jenny Jordahl destacam batalhas histĂłricas das mulheres — pelo direito Ă  educação, pela participação na polĂ­tica, pelo uso de contraceptivos, por igualdade no mercado de trabalho, entre vĂĄrias outras —, relacionando-as a diversos movimentos sociais. O resultado ĂŠ um rico panorama da luta feminista, que mostra o avanço que jĂĄ foi feito — e tudo o que ainda precisamos conquistar.


Maravilhoso! Uma leitura necessĂĄria.
SĂŁo tantas coisas incrĂ­veis sobre essa HQ que me faltam palavras para descrever o quanto eu amei e o meu desejo de que todos tivessem essa mesma oportunidade. SĂŠrio, leiam!






Mulheres na luta - 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade foi lançado pelo editora Seguinte, o selo jovem da Companhia das Letras. As ilustraçþes e a linguagem simples e direta Ê ótima para prender a atenção desse público. Que bom seria se fosse leitura obrigatória nas escolas, mas não Ê só pros jovens que essa leitura Ê importante, todos deveriam ler. De uma forma resumida conhecemos vårias mulheres que não aceitaram o que era imposto pela sociedade e lutaram por direitos iguais.


Em poucas pĂĄginas fazemos uma viagem ao longo de 150 anos vendo mulheres lutando por vĂĄrias causas e como demorou para que o movimento feminista ganhasse voz e fosse ouvido. As trĂŞs principais lutas do movimento feminista foram: o direito Ă  educação, de exercer uma profissĂŁo e ganhar o prĂłprio dinheiro; o direito de votar em eleiçþes polĂ­ticas e o direito de decidir sobre o prĂłprio corpo. 


A edição de capa dura Ê maravilhosa, uma coisa marcante nos quadrinhos Ê a cor predominante dependendo por qual direito aquela mulher estava lutando, bem como a pågina que dava destaque a grandes nomes, muitas delas eu não conhecia.


O livro fala sobre a primeira convenção, a luta das mulheres contra a escravidão, pelo direito de votar, do movimento das sufragistas, como a Primeira Guerra Mundial influenciou na maneira que os homens viam as mulheres, da primeira mårtir de que se tem notícia ser iraniana, das chegadas das socialistas, da luta pelo próprio corpo e sobre o amor livre. Ainda temos um texto escrito pela Bårbara Castro contando como foi a luta das brasileiras. Eu adorei conhecer um pouco mais da nossa história atravÊs da história dessas mulheres.



O livro Mulheres na luta nos mostra que o que os direitos que temos hoje foram conquistados graças a essas mulheres, mas que esses direitos não estão presente no mundo todo, em muitos países as mulheres ainda são proibidas de muitas coisas, e em algumas culturas as meninas são circuncidadas, são obrigadas a se casar crianças, hå profissþes que são proibidas e nós sabemos que no mundo inteiro mulheres são agredidas, estupradas, sofrem assÊdio e ainda levam a culpa. Muitas mudanças precisam acontecer, a luta continua.



"Se nós chegamos atÊ aqui, não hå por que parar de avançar."


Por Renata Kerolin






Resenha | Juntos somos eternos (Jeff Zentner)

Juntos Somos Eternos
Jeff Zentner
R$ 37,02 atĂŠ R$ 44,90
ISBN-13: 9788555340765
ISBN-10: 8555340764
Ano: 2018 / PĂĄginas: 344
Idioma: portuguĂŞs 
Editora: Seguinte

Jeff Zentner, autor de Dias de Despedida, traz outra histĂłria comovente sobre famĂ­lia, amizade e amor, com uma visĂŁo emocionante e ao mesmo tempo bem-humorada sobre a dura realidade de crescer em um ambiente conservador.
Dill nĂŁo ĂŠ um garoto popular na escola — e nĂŁo ĂŠ culpa dele. Depois de seu pai se envolver em um escândalo, o garoto se tornou alvo de piadas dos colegas e passou a ser evitado pela maioria das pessoas na cidadezinha onde mora. Felizmente, ele pode contar com seus melhores amigos, Travis e Lydia, que se sentem tĂŁo excluĂ­dos ali quanto ele. Assim que os trĂŞs começam o Ăşltimo ano do ensino mĂŠdio, mudar de vida parece um sonho cada vez mais distante para Dill. Enquanto Travis estĂĄ feliz em continuar no interior e Lydia pretende fazer faculdade em uma cidade grande, Dill carrega o peso das dĂ­vidas que seu pai deixou para trĂĄs. SĂł que o futuro nem sempre segue nossos planos — e a vida de Dill, Travis e Lydia estĂĄ prestes a mudar para sempre.


Eu tinha boas expectativas com esse livro por ser do mesmo autor de Dias de despedida, nĂŁo superou minha primeira experiĂŞncia com o autor, mas foi uma boa leitura.

Juntos somos eternos foi o primeiro livro escrito pelo Jeff Zentner e nele conhecemos a histĂłria de trĂŞs jovens amigos, Dill, Travis e Lydia. Os capĂ­tulos sĂŁo alternados entre eles e eu adoro isso porque podemos conhecer melhor cada um deles e ainda que seja assim, pra mim o personagem de destaque ĂŠ o Dill, provavelmente por causa de todo o seu drama familiar. O que os trĂŞs tem em comum ĂŠ o fato de nĂŁo se encaixarem naquele perfil padrĂŁo imposto pela sociedade e por isso sĂŁo deixados de lado, mas estĂŁo sempre sendo zoados por outros alunos.

No último ano do ensino mÊdio, Lydia só pensa na sensação de liberdade e em finalmente deixar a cidade, ir pra faculdade e ganhar o mundo. Com pais amorosos, ela tem todo o apoio em casa. Lydia tem um blog sobre moda com muita influência, bons contatos e uma vontade de crescer e ela quer isso pro Dill tambÊm, sabe que ele tem potencial e deveria sair da cidade, ir pra faculdade.

"NĂŁo podemos controlar o vento, mas podemos ajustar as velas."

Dill diferente de Lydia sente que não tem escolha, ele precisa ficar em casa e ajudar a sua mãe com as dívidas. O seu pai, líder de um culto religioso, foi preso por pornografia infantil. Foi um escândalo e se não bastasse isso, Dill tem o mesmo nome do pai e do avô, que tambÊm tem um histórico polêmico na cidade. Dill se pergunta qual o problema da sua família, e se isso um dia vai atingi-lo tambÊm. Sem apoio nenhum em casa e ainda levando a culpa pelo pai estar preso, jå que não fez nada pra ajudar quando ele estava sendo julgado, Dill não tem perspectiva para um futuro melhor. Sua mãe pede pra ele largar a escola, pra poder trabalhar mais, mas disso ele não abre mão, afinal Ê o último ano que ele vai ter com a Lydia antes dela partir.


Travis é aquele garoto deslocado das mais diversas formas. Ele é grandão, mas o que tem de maior é o seu coração e o amor pelos livros. É apaixonado por uma série de fantasia e está sempre com seu cajado e vestido a caráter. O seu pai não aceita que o seu filho não se interesse por coisas de "homen" e constantemente o compara com o seu irmão que morreu. A mãe é amorosa, mas vive a sombra do seu pai. Nem pros amigos ele conta o que acontece em casa, o seu escape vem dos livros e das pessoas que conheceu na internet que compartilham desse mesmo amor. Uma das cenas mais lindas dessa história tem livro envolvido, é impossível não se emocionar. Afinal, nós leitores, sabemos como livro é essencial.

"Fiz dos livros a minha vida porque eles me permitem escapar deste mundo de crueldade e selvageria"

No início do livro eu fiquei incomodada com o fanatismo religioso, deu pra sentir bem toda a pressão com que o Dill cresceu. Sabemos que nada em excesso Ê bom, e religião não Ê uma exceção. Depois que foi conhecendo melhor os personagens fui aproveitando mais a leitura e por esse motivo fiquei impactada quando algo aconteceu. Sabe quando você tå lendo e algo te atinge de uma forma que você fica desnorteado? Como eu não vi isso chegando? Eu não estava preparada para essa mudança na história.

Juntos somos eternos nos mostra que certas escolhas são mais difíceis que outras. Quem ou o que devemos priorizar? Qual a importância que temos na vida do outro? Podemos fazer a diferença? A família nem sempre vai ser nosso porto seguro, mas temos os amigos pra fazer esse papel. O que tem de mais bonito nessa história Ê a amizade deles, como sempre eles vão ter um pedacinho um do outro dentro de si e mesmo assim ainda vai ter partes da vida do outro que eles não vão ter conhecimento. Mas esse elo construído Ê o que vai dar força para continuarem enfrentando as adversidades da vida e ir em busca do que Ê melhor para cada um.

Por Renata Kerolin

Resenha | O livro do juĂ­zo final (Connie Willis) Oxford Time Travel #01


O Livro do JuĂ­zo Final
Oxford Time Travel # 1
Connie Willis
 R$ 46,26 atĂŠ R$ 67,90
ISBN-13: 9788556510389
ISBN-10: 8556510388
Ano: 2017 / PĂĄginas: 576
Idioma: portuguĂŞs 
Editora: Suma de Letras Brasil

Para Kivrin, que se prepara para um estudo de campo em uma das eras mais mortais da história humana, viajar no tempo Ê tão simples quanto tomar uma vacina desde que seja uma vacina contra as doenças encontradas na Idade MÊdia. Jå para seus professores, isso significa cålculos complexos e um monitoramento constante para garantir o reencontro. No entanto, uma crise de proporçþes inimaginåveis pode colocar o futuro de Kivrin, e de todo o Reino Unido, em perigo. Seu professor mais próximo, o sr. Dunworthy, farå de tudo para resgatå-la. Mas atÊ que ponto Ê possível desafiar a morte.
De 1300 a 2050, Connie Willis faz um trabalho magnífico na construção de personagens complexos, densos e pelos quais Ê impossível não sentir empatia. O livro do juízo final Ê ao mesmo tempo uma incrível reconstrução histórica e uma aula sobre o poder da amizade.



O livro do juĂ­zo final entrou na minha meta de leitura apĂłs o meu primeiro contato com a autora Connie Willis, no livro InterferĂŞncias. Foi um das melhores leituras que fiz esse ano, amei e recomendo (tem resenha aqui no blog). E por esse motivo minha expectativa estava alta, gostei da narrativa e dos personagens, mas infelizmente nĂŁo posso dizer o mesmo do livro do juĂ­zo final.

Sabia que a história seria completamente diferente, mas por ter como base viagem no tempo estava bem animada. E no começo a leitura estava super interessante, porque eu estava naquela expectativa de algo grandioso que estava por vir. Teve sim algo grandioso, mas não foi como eu esperava.

Os personagens tem nomes esquisitos e demorei um pouquinho pra conseguir visualiza-los, jå que as características físicas deles não são bem descritas, bem como alguns cenårios e tambÊm não ficou claro pra mim como surgiu a possibilidade de viajar no tempo. A história jå começa com os preparativos para um salto temporal bem arriscado. As vÊsperas do Natal muitas pessoas da Universidade jå entraram de recesso e foram viajar. A pessoa que fica como responsåvel autorizou Krivin a voltar para a Idade MÊdia e escala um estudante do primeiro ano para cuidar dos preparativos. Dunwhorty tem Krivin como uma filha e se preocupa com o que pode acontecer com ela. Voltar tanto no tempo assim Ê arriscado, e pede para sua pessoa de confiança, Badri, ficar responsåvel pelas coordenadas e envio de Krivin pro passado.

Ela se preparou para essa viagem, estudou tudo o que tinha sido documentado sobre a ĂŠpoca, costumes, lĂ­ngua, vestimentas e tomou uma sĂŠrie de vacinas para estar preparada para o grande dia. Criou um personagem e uma histĂłria para contar quando fosse encontrada sozinha, mas nĂŁo imaginou como poderia ser tĂŁo difĂ­cil, apesar das inĂşmeras vezes que Dunwhorty disse isso pra ela e aconselhou ela a nĂŁo fazer isso por ser muito perigoso.

A principio eu estava bem empolgada com o que Krivin encontraria e que aventuras iria viver, mas quando ela volta no tempo, acorda doente. Ela Ê levada para uma casa onde recebe cuidados, nos primeiros dias ela delira, não consegue distinguir o que Ê real ou não, não entende o que as pessoas falam, não consegue se comunicar, não entende como ficou doente se tomou as vacinas. Essa parte Ê bem descrita e conseguimos sentir toda a aflição e impotência da personagem. Ela acaba se afeiçoando pelo padre que a salvou e na pior parte da doença segurou a sua mão e disse que ela ficaria bem e na família que lhe deu abrigo, formada pela sogra, mãe e duas filhas. Posteriormente ela passa a tomar conta das crianças e vamos acompanhando alguns costumes da Êpoca e a preocupação de Krivin por não se lembrar onde fica o lugar que chegou para poder voltar na data combinada para voltar para casa.

O livro intercala presente e passado e os registros que Krivin faz da sua estadia.

Em 2054, Badri antes de desmaiar avisa pro Dunwhorty que algo deu errado. E assim começa a angustia para saber o que deu errado, enquanto acompanhamos a cidade ficando em quarentena por causa de um vírus. Serå que Badri e Krivin estão com a mesma doença? Esse vírus veio da rede? Mas a rede Ê segura e não permite essa transmissão. O que pode ter dado errado?

Pela proximidade do Natal e por causa da quarentena ĂŠ muito difĂ­cil encontrar alguĂŠm que possa verificar se estĂĄ tudo certo com a viagem de Krivin. 

E durante essa parte a leitura prendia, mas depois a história entra em um ciclo onde só temos essa preocupação e pessoas doentes. Os sintomas são bem descritos, assim como o sentimento de se sentir perdido e sem saber o que fazer, os questionamentos em porque Deus permite que tantas pessoas sofram por causa dessa doença. Foi um castigo? A fÊ de algumas pessoas Ê abalada, outras são julgadas por algo que foge do seu controle.

Durante boa parte do livro a leitura foi arrastada, eu não encontrava nada de novo nas påginas, basicamente eram os mesmos diålogos e preocupaçþes repetidos vårias vezes e acabou ficando bem cansativo. Vi bons comentårios desse livro, pra mim não foi uma boa leitura, mas quem procura um relato sombrio da Idade MÊdia deve gostar.


Por Renata Kerolin

Resenha | Os nĂşmeros do amor (Helen Hoang)

Os NĂşmeros do Amor
Nem a mais exata das ciĂŞncias ĂŠ capaz de prever por quem vamos nos apaixonar
The Kiss Quotient # 1
Helen Hoang
R$ 32,96
ISBN-13: 9788584391257
ISBN-10: 8584391258
Ano: 2018 / PĂĄginas: 367
Idioma: portuguĂŞs 
Editora: Paralela

Um romance que prova que o amor muitas vezes supera a lĂłgica.
JĂĄ passou da hora de Stella se casar e constituir famĂ­lia — pelo menos ĂŠ isso que sua mĂŁe acha. Mas se relacionar com o sexo oposto nĂŁo ĂŠ nada fĂĄcil para ela: talentosa e bem-sucedida, a econometrista ĂŠ portadora de Asperger, um transtorno do espectro autista caracterizado por dificuldades nas relaçþes sociais. Se para ela a anĂĄlise de dados ĂŠ uma tarefa simples, lidar com os embaraços que uma interação cara a cara podem trazer parece uma missĂŁo impossĂ­vel. Diante desse impasse, Stella bola um plano bem inusitado: contratar um acompanhante para ensinĂĄ-la a ser uma boa namorada.
Enfrentando uma pilha cada vez maior de contas, Michael Phan usa seu charme e sua aparência para conseguir um dinheiro extra. O acompanhante de luxo tem uma regra que segue à risca: nada de clientes reincidentes. Mas ele se rende à tentação de quebrå-la quando Stella entra em sua vida com uma proposta nada convencional.
Quanto mais tempo passam juntos, mais Michael se encanta com a mente brilhante de Stella. E ela, pela primeira vez, vai se sentir impelida a sair de sua zona de conforto para descobrir a equação do amor.


 Um cara rico contrata uma prostituta e acaba se apaixonando. JĂĄ viu esse filme? No livro Os nĂşmeros do amor qualquer semelhança com Uma linda mulher nĂŁo ĂŠ mera coincidĂŞncia, jĂĄ que a autora usou esse filme como inspiração para escrever o livro. SĂł que ela queria fazer diferente da maioria dos livros que encontramos por aĂ­, ao invĂŠs de um cara lindo e rico, por que nĂŁo termos uma mulher com esses atributos? A questĂŁo era porque ela contraria um garoto de programa?

E aĂ­ vem um dos pontos que eu mais gostei no livro. Stella tem sĂ­ndrome de Asperger.
A Síndrome de Asperger Ê um transtorno do espectro autista, e uma das principais dificuldades de quem a possui Ê a interação com outras pessoas e Ê por esse motivo que Stella resolve contratar Michael. Seus pais disseram que jå estavam prontos para serem avós e um comentårio de um colega de trabalho (que na visão dos seus pais Ê o cara ideal para Stella) dizendo que ela tinha que praticar para se relacionar melhor fez com que Stella tomasse a decisão de contratar Michael, isso e o fato dele ser parecido e ainda mais lindo que o ator Daniel Henney. Ela Ê super fã de filmes de artes maciais e ele luta. E o que era para ser um lance de uma noite só acaba se estendo para um namoro falso, mas o sentimento que surge entre eles Ê verdadeiro.

Quando se conhecem, Michael avisa a Stella que não encontrava a mesma cliente duas vezes, mas ele acaba se encantando com o jeito de Stella e seu lado protetor fala mais alto. Nessa história o cara que Ê inseguro e acaba se menosprezando por causa da sua condição financeira e pelo o que o pai fez. Michael Ê alfaiate e anda sempre bem vestido, o sonho de trabalhar para uma grande marca foi deixado de lado quando o pai abandonou sua mãe e irmãs, e por isso começou a fazer programas para ajudar financeiramente em casa. Embora tenha progresso com Stella ele acha que não Ê merece ficar com ela, porque ela Ê tão linda, incrível e inteligente.

Stella Ê econometrista. Bem sucedida na sua profissão, segue a mesma rotina todos os dias, uma das características da síndrome Ê ter as coisas bem planejadas e ela adora lidar com números e fazer projeçþes, aquilo ela conhece, Ê o seu campo de segurança, o que a fascina e inspira e ela pode passar horas fazendo e falando sobre isso e atÊ nos finais de semana ela vai pro escritório, porque ama o seu trabalho. E com o tempo percebe que não quer treinar com o Michael para estar preparada para outro cara, ela simplesmente quer ele porque ele Ê o Michael, mas por conta das suas dificuldades acha que não serå possível, atÊ que resolve reverter isso.

Apesar dos “papeis trocados” tem pontos que sĂŁo clichĂŞs nessa histĂłria, mas esse livro tem todo o diferencial do que movimenta seus personagens, suas inseguranças e certezas, suas paixĂľes e desilusĂľes. Gostei das peculiaridades desse casal e de aprender um pouco mais sobre caracterĂ­sticas da SĂ­ndrome de Asperger com o comportamento da Stella, e sua determinação em superar suas dificuldades mas sem perder sua essĂŞncia e maneira como Michael a admira.

“Ela tinha uma sĂ­ndrome, mas a sĂ­ndrome nĂŁo era aquilo que a definia. Ela era Stella. Um indivĂ­duo Ăşnico.”

Na contra capa do livro a editora Paralela informa que Ê um livro com conteúdo adulto, e apesar da história começar com esse foco da Stella fazer sexo e ter sim vårias cenas voltadas para seu aprendizado, o livro Ê muito mais que isso, quem gosta de ler romances com esse tipo de conteúdo vai curtir e quem não gosta pode ficar tranquilo porque nenhuma cena desse tipo foi simplesmente jogada no livro, todas elas tem sentido estarem ali e a história Ê muito maior que isso. Percebemos um desenvolvimento dos personagens principais e eu adorei a forma que a autora resolveu as coisas e finalizou o livro. SÊrio, foi encantador e me deixou com aquele sorriso no rosto.

Temos bons personagens secundĂĄrios tambĂŠm, o que ĂŠ Ăłtimo jĂĄ que esse ĂŠ o primeiro livro de uma sĂŠrie. NĂŁo sei quantos livros vĂŁo ser e nem se a editora Paralela vai publicar todos aqui, mas estou curiosa pro prĂłximo livro que, pelo que pesquisei, deve ser do primo do Michael, Khai.

No fim do livro do livro hĂĄ uma nota da autora bem interessante onde ela diz que existem livros especĂ­ficos para mulheres dentro do espectro do autismo, porque existe uma diferença na maneira como o autismo ĂŠ percebido em homens e mulheres. E essa pesquisa foi uma jornada de autodescobrimento e aos 34 anos Helen Hoang foi diagnosticada com sĂ­ndrome de Asperger. O relato dela sobre sua vida e como a personagem Stella nasceu ĂŠ bonito. 

Resumindo, recomendo porque a leitura flui e uma das coisas que eu mais gostei nesse livro e o que me encantou foi a maneira que Michael e Stella enxergavam um ao outro, a admiração que eles tinham por eles serem eles, simples assim. Como eles valorizavam o que o outro tem de melhor, sem julgamentos, valorizando as coisas boas.

Por Renata Kerolin